SEM OSSO
Mecanicorgânico é um projeto de pesquisa de dança contemporânea que visa questionar o corpo em um contexto agressivo de surgimento e atuação de novas tecnologias, cujo avanço acelerado tende a impor uma corporeidade humana ainda em processo de transformação e, por isso mesmo, ainda não totalmente identificável e compreendida.
Chips, enchertos mecânicos, próteses, multiverso, inteligência artificial, profusão de telas etc., têm sido possibilidades que nos chegam e aceitamos, muitas vezes, sem muitos questionamentos e até com certo fascínio, mesmo diante de uma realidade ainda imprecisa e em rápida transformação, fazendo com que modos, hábitos, tempos, emoções e o próprio corpo não sejam mais os mesmos que antes dessa avalanche de ofertas tecnológicas tentadoras nos circundar.
Mas o interessante é que, ao trazer essas questões no processo, nos interessamos, sobretudo, em como é o corpo, como potencializá-lo, antes que ele seja dominado por essa realidade tecnológica agressiva e que, muito em breve, pode não oferecer escolhas. Ou seja, qual e á organicidade do corpo? Existe uma tecnologia dessa organicidade? Como ampliar o caráter orgâncio do corpo, do movimento, abdicando o mais possível da profusão tecnológica afertada na contemporaneidade.
Ou seja, um corpo que dança sua tecnologia própria, que não recusa, definitivamente, o tecnológico, mas escolheu vivenciar sua própria organicidade, reconhecê-la, dilatá-la e dela usufruir enquanto é possível ser orgânico.
A partir desses questionamento o projeto também se perguntou que CORPO é esse?
Esse corpo, no processo de pesquisa, é um corpo treinado, preparado, com recursos desenvolvidos, técnico, com hábitos, mas também com fragilidades, fraquezas, falhas, o corpo da intérprete Lívia Bennet, que se lança na investigação de sua prórpria organicidade e de sua ampliação.
Mecanicorgânico deu lugar, então, a um espetáculo de dança contemporânea que decidimos intitular de SEM OSSO, dançado com doação e força , por Bennet, no qual a dramaturgia toda passa pelo corpo, só, em cena, sem o suporte de nenhum recurso tecnológico, como uma postura de trégua deles, de pausa, de recusa para poder se entender, antes que seja engolido por eles.
Nas próximas postagens, falaremos da origem desse título.
*esse projeto é realizado com recursos do Fundo de Apoio à Cultura do DF - FAC.
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| Lívia Bennet em ensaio de SEM OSSO |

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